quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A memória é deveras um pandemônio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas. Não pode é alguém de fora se intrometer, como a empregada que remove a papelada para espanar o escritório.


Leite Derramado de Chico Buarque

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Linhas de Wellington

E pronto decidem fazer um filme sobre as Invasões Francesas, bom tema, parte importante da história portuguesa. Decidem que o filme deve mostrar personagens ingleses, franceses e portugueses, boa ideia já que andaram todos metidos no "barulho".
Agora, esqueceram-se foi de criar histórias minimamente interessantes para qualquer um desses personagens. Depois como se isso já não fosse mau o suficiente, ainda criam situações completamente idiotas. Então não é que em plena guerra o Duque de Wellington está muito preocupado com uma pintura que retrate bem a guerra??? A sério??? Eu não conheço a vida do Duque de Wellington mas não me acredito que alguém nesse momento crucial tivesse preocupado com algo tão trivial. Se era para ter piada também não achei que tivesse. E assim se desperdiça a participação de um grande actor como John Malkovich.
Mas isto ainda não era suficiente para estragar o filme, há que ter a Soraia Chaves a fazer de prostituta, não o problema não está nela ou no personagem está mesmo em quem escreveu o argumento, então uma prostituta, que pela roupa me pareceu daquelas mais baratas, sabe falar espanhol e inglês?? Num país como Portugal?? No século XIX?? Caro argumentista, acho que te espalhaste à grande com esta. Que ela tentasse falar espanhol e tirasse alguma coisa, eu achava credível, mas falar não.
Agora, a melhor foi a história que envolvia o personagem do Nuno Lopes, que a meu ver era a melhorzinha de todas. Uma inglesa que vê o marido ser morto na batalha do Buçaco. E o Nuno ajuda a pobre mulher e apaixona-se por ela, e no fim pede-a em casamento. E ela dorme com ele e depois diz que quer voltar para a Irlanda e que está grávida do marido e não o quer. E então querida porque dormiste com ele? Quem não quer não faz essas coisas, diz logo que não. Foi uma queca de piedade??
 
Quando quiserem fazer um filme sobre um acontecimento histórico misturem bem os personagens fictícios com os verdadeiros, usem como ancora uma história de amor, uma amizade entre soldados ou até homens amigos antes da batalha e que depois se vêem separados por ela, como naquela série americana Norte e Sul. É bastante fácil criar interesse, porque se não for para ser assim, uma mistura de realidade com ficção, então façam um documentário que todos nós aprendemos mais.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Depois do Adeus

Há dias descobri, através do TVDependente, que vai estrear uma série sobre uma família que regressa a Portugal, mais concretamente a Lisboa, vinda de Angola  após dar-se o 25 de Abril.
Pelas imagens e mais que não seja pelo tema será algo a ver e a acompanhar. Quando terminou o Conta-me como foi tive pena que não continuassem porque a época a seguir ao 25 de Abril tinha muito que contar. Esta série não acompanhará a família Lopes, mas podemos vê-la como uma continuação da outra do ponto de vista histórico.
Estreia já no dia 19, na RTP1, às 21 horas.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Lincoln apenas recomendado a pessoas que gostem de filmes que metam politica. O Daniel Day-Lewis está soberbo como Lincoln, até a voz soa diferente de outros filmes. A Sally Field também está excelente e justifica bem a nomeação ao Óscar. O Joseph Gordon-Levitt apesar de aparecer pouco também demonstra porque é possivelmente um dos melhores actores da sua geração. E embora não seja droop dead gorgeous eu acho-o muito fofinho e espero que vá longe porque é um actor cheio de talento.

domingo, 13 de janeiro de 2013

há uns tempos numa conversa com uma amiga dizia-lhe que não gostava muito de séries com muitas personagens. Não gosto porque sinto que é mais difícil seguir a história, além disso parece que por vezes a história se dispersa demasiado.
Ontem, estive a ver os dois primeiros episódios de Ripper Street e não é que falhei em reconhecer o Jerome Flynn??? Então, o senhor anda ali na Guerra dos Tronos para trás e para a frente e eu ao vê-lo só pensei: a tua cara não me é estranha. E mais também anda por esta série a rapariga que no episódio de Natal de Downton Abbey andou-se a fazer ao meu querido Branson e eu também não a reconheci!! Depois de todas as pragas que lhe roguei por ser uma desavergonhada e coisa e tal, não a reconheço???
Eu acho que estou a perder a minha capacidade de me lembrar de caras e isto preocupa-me!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Dos livros

Nesta altura no ano, o que mais tenho visto em blogues de livros são os desafios literários que vão aceitar. Eu não tenho nada contra, mas não se adequa ao meu feitio. Dificilmente aceitaria o desafio de ler 10 livros do autor X ou sobre o tema Y. Prefiro ir lendo aquilo que me dá na gana ou porque de repente sinto que não posso adiar mais ou como quando começo a olhar os livros e de repente há um que salta à vista e digo: hoje vais ser tu.
Para leituras mais ou menos impostas ou não escolhidas a 100% por mim prefiro as de um clube do livro.
Este ano o único desafio será ler coisas boas de uma forma mais regular, tenho passado os últimos meses a ler muita coisa má e sem sentido, embora também no meio de muita coisa má tenha descoberto algumas pérolas.

( Eu decidi rever todas as adaptações de Jane Eyre e falar delas no Great Minds Think Alike e isso também pode ser visto como um desafio, mas como eu gosto muito do livro, não considero uma imposição e antes uma oportunidade de rever as favoritas e dizer mal das que não gostei :) )

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A arte de promover mal um livro

Na era em vivemos o marketing vem vindo a conquistar o mundo dos livros. Já não interessa se é bom ou mau, apenas interessa promover o livro para alcançar o maior número de vendas. Engana-se o leitor mais desatento com números e com elogios feitos, possivelmente por encomenda. Além disso, vende-se por aí muito gato por lebre e apresentam-nos coisas que não têm nada a ver com o livro em questão. Já há uns meses alguém se queixava disso sobre um livro, cujo o nome já não me recordo e hoje sou eu que venho denunciar, a má sinopse e promoção feita ao livro O Inferno de Gabriel de Sylvain Reynard.
Antes de começar devo dizer que já li este livro e a sua sequela. Li em Julho, numa altura que o livro era ainda moderadamente conhecido. O livro vinha mencionado algures como sendo melhor que o Fifty Shades of Grey ( algo que não é difícil dado a fraca qualidade do título em questão).
Cada vez mais as sinopses me dizem menos e para tirar teimas li o excerto do livro na amazon e fiquei de tal modo agradada que decidi lê-lo. Ler nem é bem o correcto, eu acho que devorei.
O livro partilha com Fifty Shades of Grey as origens obscuras de ter começado como Fanfiction ( são histórias escritas por quem lê um livro e usa os mesmos personagens para escrever as suas próprias histórias, na maioria das vezes reescrevem o livro sobre o ponto de vista de outro personagem e muitas vezes são pouco fiéis ao original)
Eu tenho a teoria - atenção que isto é uma teoria - que Sylvain Reynard queria escrever e que usou a base de fãs de Twilgiht como uma plataforma para se lançar e resultou. Ao passo que E.L.James escreveu as suas fantasias, como a própria afirma e o mundo seria muito mais feliz se tivesse feito como a maioria das pessoas que têm crises de meia idade e tivesse arranjado um amante.
Feitas que estão as explicações, irei agora analisar de forma detalhada a sinopse que aparecerá a itálico.
 
 
Venha mergulhar num mundo de obsessões, segredos e prazeres sem limites.
 
Existem segredos no livro, ambas as personagens têm passados complicados, mas não nada de extraordinário ou que seja motivo para anunciar ao mundo. Qualquer livro que apresente mais profundidade terá pessoas que escondem segredos e que as fazem errar e hesitar em determinados momentos chave da história.
Do mesmo modo que não há obsessões ninguém é obcecado, excepto talvez uma das personagens femininas que quer seduzir o personagem principal masculino, mas novamente não é nada que seja motivo para ser uma obsessão, o que não faltam por aí são livros com personagens que não olham a meios para atingir os seus fins, sem serem necessariamente obsessivas.
Quanto ao prazer sem limites, lamento informar, mas ao contrário do que a editora veicula o livro NÃO é literatura erótica. E aqui permitam que vos diga que os livros para serem eróticos tem de ter uma quantidade razoável de sexo e ter como base uma relação que começa de forma puramente sexual. Todos os livros têm sexo, até nos Maias há sexo! Sendo um elemento da vida do ser humano é natural que apareça em livros. Algumas obras são de carácter erótico porque é dado um grande ênfase a essa parte, assim como um policial terá um grande componente de suspense. Agora se num livro houver um assassinato e alguma investigação isso não faz dele um policial.
Para esclarecer, se um livro tiver muito sexo será erótico, mas se tiver o normal para um livro é apenas um livro.
O Inferno de Gabriel é quando muito um livro de ficção romântica, mas acima da média da maioria dos que se vendem e divulgam por aí.

 
O enigmático e sedutor professor Gabriel Emerson é um reputado especialista na obra de Dante. Mas à noite dedica-se a uma vida de prazer sem limites, não hesitando em usar a sua beleza de cortar a respiração para manipular as mulheres a satisfazerem cada capricho seu. Talvez por isso se sinta torturado pelo passado e consumido pela crença de que está para lá de qualquer salvação.
 
Mais ou menos correcto, embora ele não saia todas as noites para "caçar" mulheres e também não as manipula para satisfazer caprichos. O Gabriel Emerson limita-se a ir a um bar e engatar uma mulher e nisso não é diferente de muitos homens que encontramos todos os dias.
E ele não acredita que possa ser redimido e sim é torturado pelo seu passado.
 
 
 
Quando a jovem Julia Mitchell se inscreve como sua aluna de pósgraduação, Gabriel não consegue ficar indiferente.
 
Ela não é aluna de pósgraduação e sim de mestrado. E sim ele não fica indiferente, mas isso é por motivos que o leitor descobre à medida que lê e por ser um spoiler não vou revelar aqui. Não é exclusivamente por uma atracção, embora ela exista.
 
 
Ela é linda, deliciosamente inocente, um diamante em bruto para ele polir. Sempre que Julia se apercebe do olhar de predador dele, espera sentir receio, mas o que verdadeiramente sente é uma estranha luxúria que a assusta.
 
Sim, ela é linda, com uma beleza clássica e pura, mas ao contrário da Anastacia Steele ela tem motivos para ainda ser pura. E não quando ele a olha não sente luxúria, mas sim amor, pois está apaixonada por ele. Julia valoriza o amor espiritual e não o amor físico, por motivos que não posso explicar porque isso seria mais uma vez um spoiler.
E ele também não a olha de forma predatória, olha-a de forma normal. Sente desejo por ela, mais uma vez algo normal numa atracção ou no inicio de uma relação.
 
 
Desejando desesperadamente possuí-la, Gabriel põe em perigo não só a sua carreira, como ameaça desenterrar segredos de um passado que preferia manter oculto. Uma história inebriante sobre amor proibido, luxúria e redenção, O Inferno de Gabriel retrata a jornada de um homem que procura escapar do seu próprio inferno pessoal enquanto tenta conquistar o impossível: perdão e amor.
 
 Mais uma vez a luxúria aparece quando não é disso que se trata. O resto até está correcto, ou mais ou menos correcto pois ele não anda por aí a desejar desesperadamente possuir a rapariga, mas vai de encontro ao resto do tom da sinopse.
Ele não é um Christian Grey que apenas quer saltar para cima da Anastacia, Gabriel Emerson tem sentimentos pela Julia Mitchel.
 


Um livro obsessivo e viciante como As Cinquenta Sombras de Grey.
 
Isto não são as Cinquenta Sombras de Grey 2.0, mas sim o livro muito melhor e que nada tem em comum com o livro em questão.
Na amazon em tempos idos também apareciam estas comparações, mas agora foram-se, pois são erradas. Mas o que mais me admira é que a Saída de Emergência, vai editar um outro livro, intitulado Porque És Minha e esse sim é parecido com o Grey ( milionário com gostos sado-masoquistas e menina virgem) e não o promove dessa forma. Resta perguntar, de forma retórica, se quem faz as sinopses lê os livros ou tem pelo menos alguma noção do que trata a história. Para fazer um trabalho tão mau mais valia dar lugar a quem efectivamente percebe de livros e sabe do que eles tratam antes de cá chegarem e não ler apenas aquilo que as editoras estrangeiras dizem, sim que elas não são isentas de culpa nestas promoções mal feitas.