quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Medos

Quero te dizer também que nós, as criaturas humanas, vivemos muito ( ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, é que a vida, o mundo dobra-se sempre às nossas decisões. Não nos esqueçamos das cicatrizes feitas pela morte. Nossa plenitude, eis o que importa. Elaboremos em nós, as forças que nos farão plenos e verdadeiros.


As Meninas de Lygia Fagundes Telles

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Quando o homem é mais baixo...

Um dos blogues que visito com mais frequencia é o Shiuu. Nestes dias que estive sem PC, apareceu por lá este segredo.


Os comentários eram todos unanimes em dizer que isso nao interferia com a relação e muita gente apontava o seu proprio exemplo. Há uns tempos, a saltitar de link em link, encontrei um post sobre o mesmo tema. Mas nesse várias pessoas diziam coisas como: "não gosto de ver" ou "fica mal".
 
Curioso como a sociedade aponta como condição sine qua non para a relação ter sucesso o homem ser mais alto que a mulher que tem ao seu lado. Biologicamente os homens são mais altos, logo a probabilidade do homem ser mais alto é maior. Como é maior a probablidade de ter olhos azuis, se for nordico ou british.
 
Mas as pessoas estão de tal modo formatadas a pensar que quando vêm um homem com uma mulher mais alta que ele, estranham e nao acham normal. Faz-me pensar se em algum lado está escrito que o homem tem de ser mais alto...
 
Para terminar aqui fica uma imagem de um livro que li o ano passado, chamado A Arte Perdida de Guardar Segredos de Eva Rice.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Farewell to Alan Rickman

Foi na passada quinta-feira que Alan Rickman nos deixou. Mas eu estive sem PC estes dias e por isso nao pude colocar aqui nada sobre isso.
 
A internet lamentou a morte do actor que deu vida ao Professor Snape do Harry Potter, mas eu lamentei a morte do Coronel Brandon, uma das muitas personagens do universo Austeniano. Por ter sido o Coronel Brandon, Alan Rickman era especial para mim, como são todos os actores que um dia encarnaram um personagem criado por Jane Austen.
 
Há outras personagens que Alan fez e que eu gosto. Uma delas é o Juiz Turpin no Sweeney Todd. Uma das cenas que eu mais gosto neste filme é precisamente protagonizada por Alan. Sweeney deseja a todo o custo matar o Juiz e assim vingar-se do mal que ele lhe fez. O Juiz, ignorante da verdadeira identidade dele, visita-o para ser barbeado. Sweeney vai saboreando o momento até puder degolar o Juiz enquanto ambos cantam uma música sobre a beleza feminina.
 
 
 
 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Lendas...

 
 
 
 
 
 
"Em Tavira existe um rio que tem dois nomes, de um lado da ponte chama-se Rio Gilão e do outro lado da ponte chama-se Rio Séqua. Segundo a avó de uma amiga minha, que é de Tavira, existe uma lenda que explica este facto.
Essa lenda conta a história do reino do Algarve, na altura da ocupação muçulmana, em que existia um rei mouro em Tavira cuja filha se chamava Séqua. Esta lenda coincide com a altu...ra da conquista cristã do reino do Algarve e, entre o exército militar cristão, estava um cavaleiro que se chamava Gilão. O que aconteceu foi que quando o cavaleiro Gilão conheceu a princesa Séqua apaixonaram-se… apaixonaram-se perdidamente, mas viviam um amor proibido, porque cada um pertencia a mundos culturais diferentes e, neste caso, a facções militares opostas. Então, o cavaleiro Gilão e a princesa Séqua todas as madrugadas se encontravam em cima da ponte que une as duas margens do rio de Tavira, mas houve alguém de uma das facções que descobriu… e ao descobrir este amor secreto avisou a outra facção. Numa das madrugadas, o cavaleiro Gilão e a princesa Séqua encontravam-se mais uma vez secretamente em cima da ponte quando foram surpreendidos por ambas as facções, numa das margens do rio, a facção militar cristã e, na outra margem do rio, a facção militar moura. O cavaleiro e a princesa ficaram aterrorizados ao serem descobertos, porque sabiam que iam ser acusados de traição (o que provavelmente os iria levar à morte), então suicidaram-se, a princesa Séqua atirou-se para um dos lados da ponte e o cavaleiro Gilão atirou-se para o outro lado da ponte, caindo os dois ao rio. E, segundo a lenda, é este o facto que explica que de um dos lados da ponte o rio de Tavira se chame Rio Séqua e do outro lado da ponte o Rio de Tavira se chame Rio Gilão."

Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) colector Sara Cruz (F)
 
tirado do facebook da Rita Ferro
 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Sobre o filme Como Àgua Para Chocolate e a improbabilidade das coisas que nos acontecem

O filme e o livro Como Água para Chocolate são dois grandes favoritos meus. O filme é uma das poucas adaptações de livros que vi que é absolutamente fiel ao livro.
Como favorito nunca me canso de ver e comecei o ano a vê-lo ou melhor deu na sexta-feira à noite na RTP2 e eu aproveitei para rever.
 
Alguns minutos antes de começar o gastrónomo José Bento dos Santos falou sobre como Aztecas consumiam o chocolate, com água e especiarias muito diferente da forma como o consumimos hoje.
Mas o que me chamou a atenção foi ele falar da cena em que é servido o prato codornizes em pétalas de rosa. O José Bento dos Santos falou da cinematografia ser soberba nesta cena. 
O interessante nesta observação dele não é o que ele disse, com todo o mérito que as palavras dele têm, mas a escolha desta cena. Digo isto porque há muitos anos li uma entrevista com o Marco Leonardi, o protagonista do filme, em que ele dizia que tinha sido precisamente nesta cena que ele e Lumi Cavazos, a protagonista feminina do filme, se tinham apaixonado.  Ela não falava italiano e ele não falava espanhol, então era tudo à base de olhares e inglês macarrónico. Durante anos eles foram um casal, mas acabariam por se separar.
Sendo Marco Leonardi um actor italiano a probabilidade de participar num filme made in México era bastante baixa, ainda mais no inicio dos anos 90. No entanto, Alfonso Arau, o realizador do filme viu-o no Cinema Paradiso e decidiu contratá-lo. Dizia Arau numa entrevista que Marco era muito bonito e no México os actores não eram assim bonitos. Arau sentiu necessidade de contratar um actor belo pois precisava que o público visse o que Tita (Lumi Cavazos) via nele. Segundo ele, naquela altura um homem que se apaixonasse por uma mulher com a qual não se podia casar simplesmente fugia com ela. Algo que Pedro não faz. Se Pedro roubasse Tita e fugisse com ela não tínhamos livro. Da mesma forma que Tita por ser a mais nova das irmãs não se podia casar pois teria de tomar conta da mãe até esta morrer, era a tradição familiar. Bastava Tita não ter nascido por último ou Pedro ter tido coragem e raptá-la.
Mas aí não tínhamos livro ou filme e a probabilidade de Marco Leonardi conhecer Lumi Cavazos era muito remota.
Pensando nisto tudo penso que realmente o improvável é muitas vezes aquilo que acaba por acontecer, em vez do esperado...

sábado, 2 de janeiro de 2016

O que é que a Madrigal vai ler em 2016

Quando termino um livro tenho sempre dificuldade em escolher o que ler a seguir. Muitas vezes acaba por ser uma escolha natural, mas salvo essas raras vezes não é fácil escolher o que ler a seguir. Em 2015, no meu clube de leitura decidimos no inicio de cada ano escolher os títulos que queremos ler. Um processo simples, cada uma dá duas ou três sugestões, faz-se uma votação e os mais votados são os que lemos.
Decidi fazer algo semelhante e assim comecei a escrutinar as prateleiras para decidir o que ler. Algumas escolhas foram pensadas, outras são completamente aleatórias.
 
 
Outlander - A Viajante de Diana Gabaldon - naturalmente que assim que terminar o segundo livro quero ler o terceiro. Se a Casa das Letras não falhar também lerei o quarto, a editar em Maio.
 
 
Uma Morte Súbita de J.K. Rowling - a magia do Harry Potter nunca me afectou por isso só vi os filmes. Vi a adaptação deste livro, mas não achei nada de especial. Já li que a série não fazia jus ao livro que dizem ser muito bom. Resta-me ler e perceber onde está a verdade.
 
 
O Paciente Inglês de Michael Ondaatje- Vi o filme há uns anos, muito depois de ter saído e lembro-me de ter gostado, muito até. Mas actualmente não me lembro de quase nada. Penso se será realmente uma história memorável ou apenas mais uma história que será boa para quem a vê ou lê e se identifica com ela. Espero que a leitura do livro clarifique esta dúvida.
 
 
Os Três Mosqueiros de Alexandre Dumas- São muitas as adaptações que se fizeram deste livro. Eu já vi algumas, claro. Vi também os desenhos animados e a versão canina aka Dartacão. Mais recentemente vi a série da BBC. A primeira temporada foi fraca, a segunda foi um pouco melhor e foi enquanto via segunda temporada que decidi ler este livro.
 
 
The Making Of Pride And Prejudice de Sue Birtwistle & Susie Conklin - é um livro sobre os bastidores da adaptação de 1995 de Pride And Prejudice. Já o devia ter lido há muito, mas como se costuma dizer: mais vale tarde do que nunca.
 
 
Dá-me-te de Fernando Dinis - comprado numa altura em que costumava comprar livros de autores estreantes, nunca o li e o Fernando Dinis apenas publicou mais um livro.
 
 
O Livro de Sabores Perdidos de Nicky Pelegrino - tenho duas amigas que dizem ser bom, dentro do género livro rosinha de amor. Mete Itália e culinária. São três argumentos de peso.
 
 
O Tempo Entre Costuras de Maria Dueñas - Vi este livro muitas vezes quando pesquisava no wook, aparecia nas sugestões, do quem comprou este também comprou... Não sei porquê achei sempre que era sobre o que vestir e não um romance. Só percebi que era um romance quando vi o trailer da série espanhola que adaptou o livro. O que vi fez-me comprar o livro.
 
 
As Travessuras da Menina Má de Mário Vargas Llosa - foi comprado quando o autor ganhou o prémio Nobel, mas nunca o li. Nem sei bem do que trata ou sobre o que escreve Mário Vargas Llosa. Mas em minha defesa tenho a dizer que na altura comprava sempre um livro de quem ganhasse o prémio Nobel, pois se ganhou é porque é bom.
 
 
E já agora deixo aqui a lista do clube, sem observações pois as escolhas não foram todas minhas:
 
O caso Jane Eyre de Jasper Fforde
Morgadinha dos Canaviais de Julio Dinis
Cem anos de solidão de Gabriel Garcia Marques
Além Tejo de Catarina Araujo
Perguntem à Sarah Ross de João Pinto Coelho
 
A estas duas listas acrescento o segundo da série Florença do Sylvain Reynard e ainda um livro que vai ser publicado por uma amiga minha.
 
Não sei se vou conseguir ler estes livros todos ou se vou até ler mais. No final do ano prometo vir aqui e dizer quais foram os melhores e os piores. Já sabem que todos os meses, escrevo algumas linhas sobre as leituras do momento e quase sempre escrevo uma opinião quando termino o livro.
 
Bom ano a todos e boas leituras.