Amo-te tanto que não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio.
In Memória de Elefante de António Lobo Antunes.
( a negrito a minha parte favorita, quantas vezes não esperamos por coisas que sabemos que nunca irão acontecer??)
Desde que nos levantamos até nos deitarmos pensamos mais vezes nisso no que no que está mesmo a acontecer.
ResponderExcluirDe uma forma muito simples disseste uma grande verdade.
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