segunda-feira, 14 de outubro de 2019

O Último Cabalista de Lisboa de Richard Zimler

O Último Cabalista de Lisboa é o primeiro livro que leio deste autor. É também o primeiro que ele escreveu. Em diversas entrevistas Richard Zimler despertou o meu interesse para a leitura dos seus livros.
Antes de começar a ler sabia, vagamente, que o livro era sobre um acontecimento histórico, concretamente sobre a morte de judeus em Lisboa durante a Páscoa de 1506. Antes de começar a ler achava que tinha sido algo ordenado pelo Rei, mas ao ler percebi que não. O que aconteceu foi que as pessoas, descontentes, alimentadas por ódios, acabaram por matar os judeus que conseguiram apanhar.
No livro sente-se bem o ambiente de desconfiança e intolerância que se vivia em Portugal naquela altura. Os judeus, viram-se obrigados a converter-se, ao contrário do que acontecera em Espanha onde foram expulsos.
São livros como este que nos mostram o quanto o ódio pode ser alimentado e como ele nunca parece se extinguir, tomando apenas caras diferentes, como é bem presente em narrativas sobre a Segunda Guerra Mundial.
 
Sobre o livro em si, apenas me oferece dizer algumas linhas, para além do habitual gostei muito. Zimler construiu uma narrativa poderosa que coloca o leitor lá. Muitas vezes imaginei, através das suas palavras, a Lisboa daquela altura. Não se pode dizer que este livro é um thriller mas o seu desenrolar mantém-nos na expectativa. E poucos livros conseguem fazer isso. Muitas vezes há um assassinato, como neste, mas o desenrolar é tão lento, confuso que a meio já não interessa se quem matou foi X ou Y...
Resta-me apenas acrescentar que durante os dias de leitura vivi na história e na inquietante incerteza de quem teria matado o mestre cabalista Abrão Zarco.
 
Como disse no inicio este foi o primeiro livro escrito por Zimler e é um excelente primeiro livro. Sei que já foi editado há muito. A vantagem, para quem como eu chega agora aos seus livros, é termos um lote bastante grande de livros a ler...


 

terça-feira, 1 de outubro de 2019

O que ando a ler

O Último Cabalista de Lisboa de Richard Zimler- estou a meio deste livro e a adorar cada minuto de leitura.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

The Help by Kathryn Stockett

Quando vi a versão cinematográfica deste livro não fiquei com especial vontade de ler o livro. Gostei do que vi, mas não me pareceu que ler o livro trouxesse mais para mim. Acontece-me muitas vezes ver o filme ou serie e querer mergulhar naquele universo de forma mais profunda, outras vezes não me apetece...
Mas o destino, se assim acreditarem, quis que eu lesse este livro e talvez me tenha feito questionar até que ponto ler ou não um livro com base em ter visto o filme é válido ou não.
 
Este livro veio-me parar às mãos através de uma colega. Esta colega é voluntária num banco de livros escolares, onde alguma alma caridosa, entregou  diversos livros em inglês. Esta minha colega não lê em inglês e deu-me os livros.
 
Ler este livro é mergulhar num mundo à parte, e quando digo à parte digo-o da mesma forma que tivesse mergulhado num livro de fantasia. Uso a fantasia como podia ter usado a ficção cientifica. Acho que quando não se é americano, sulista ou algo assim este mundo é mesmo à parte. Acontece que depois da Guerra Civil em 1865, os Estados Unidos segregaram a sociedade, pondo os brancos para um lado e os negros para o outro. Esta separação existia um pouco por todo o país mas era mais evidente e marcante no Sul, onde durante muito tempo os negros tinham sido escravos. Com a abolição da escravatura pouco mudou, apenas recebiam um salário, mas o resto era igual ou quase.
 
A separação começou após a guerra e só terminou muito tempo depois. Durante muito tempo o estado de coisas não era questionado, mas em décadas depois da Segunda Grande Guerra, as pessoas começaram a falar em direitos e a querer mudar as coisas.
 
Este livro começa em 1962, e tem como principais personagens Aibeleen, Minny e Skeeter. Aibeleen e Minny são duas criadas negras. O normal era as mulheres trabalharem como criadas e os homens nas fábricas e assim. Skeeter é branca e tem a ideia de escrever um livro sobre a vida destas mulheres. Escrito a 3 vozes e muito bem escrito, o livro é um convite à reflexão sobre um tempo que já não existe mas que marcou profundamente a sociedade....

 

domingo, 1 de setembro de 2019

O que ando a ler

The Help by Kathryn Stockett - apesar do filme não me ter entusiasmado por aí além, estou a gostar muito deste livro.

sábado, 24 de agosto de 2019

O Segredo de Ana Plácido de Teresa Bernardino

Ana Plácido é conhecida por ter sido amante e mais tarde esposa de Camilo Castelo Branco. Terá sido, possivelmente, o grande amor da vida dele. Este livro é um convite a mergulhar na pessoa que Ana Plácido terá sido.
O livro é escrito sobre o ponto de vista do filho Jorge, o filho que era louco. Não é aquele típico livro de biografia romanceada em que começa pelo nascimento ou algum acontecimento importante na vida da pessoa. Teresa Bernadino escreve a história como se fosse um policial. Quem era Ana Plácido?  O que pensou ou terá sentido em determinados momentos da sua vida? Como era viver com um homem com a personalidade difícil de Camilo Castelo Branco?
Escrever uma biografia assim é arriscado mas o resultado é excelente. Não só porque Teresa fez um rigorosa pesquisa mas também porque tem uma escrita maravilhosa. Dá vontade de correr para a biblioteca de descobrir os livros de Camilo Castelo Branco e também alguns que Ana Plácido escreveu...

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

quem é o réu?

O réu é para a sociedade alguém que não merece respeito a partir do momento que nessa qualidade é tratado. Nunca se põe a questão de saber o que suscitou ou obrigou a determinado acto ou o grau da sua responsabilidade. Só interessa torná-lo um símbolo vivo da culpa ou do sentimento do mal que a natureza humano encerra.


O Segredo de Ana Plácido de Teresa Bernardino  

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Filhos

Um filho não chega para manter um matrimónio onde o amor não tem morada. Um filho é uma exterioridade conforme às leis da natureza, com as quais o amor nem sempre coincide. Pode até ser uma fuga, se a comunhão não existe, se o matrimónio é uma frustração; se os pais não se amam, separa-os ainda mais, porque ele é um outro ser a quem nos vamos prender, na busca de algo mais pleno, como se fosse a nossa própria eternidade.


O Segredo de Ana Plácido de Teresa Bernardino