terça-feira, 27 de julho de 2010

Da Felicidade...

Não, a sério, a felicidade, esse estado difuso resultante da impossível convergência de paralelas de uma digestão sem azia com o egoísmo satisfeito e sem remorsos, continua a parecer-me, a mim, que pertenço à dolorosa classe dos inquietos tristes, eternamente à espera de uma explosão ou de um milagre, qualquer coisa de tão abstracto e estranho como a inocência, a justiça, a honra, conceitos grandiloquentes, profundos e afinal vazios que a família, a escola, a catequese e o Estado me haviam solenemente impingido para melhor me domarem, para extinguirem, se assim me posso exprimir, no ovo, os meus desejos de protesto e de revolta. O que os outros exigem de nós,entende, é que não os ponhamos em causa, não sacudamos as suas vidas miniaturais calefetadas contra o desespero e a esperança, não quebremos os seus aquários de peixes surdos a flutuarem na água limosa do dia-a-dia, aclarada de viés pela lâmpada sonolenta do que chamamos virtude e que consiste apenas, se observada de perto, na ausência morna de ambições.



In "Os Cus de Judas" de António Lobo Antunes

segunda-feira, 26 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

Ema de Jane Austen

Ler um autor que já se conhece tem sempre um sabor especial. Se por um lado sabemos que dificilmente iremos sair desiludidos, por outro a curiosidade de saber até que ponto poderá ser melhor que os livros que já conhecemos é sempre grande.
Este é o quarto livro que leio de Jane Austen. Esta escritora inglesa do início do século XIX, criou um ambiente muito especial nos seus livros, estão todos cheios de críticas à sociedade que a rodeava, a burguesia. Numa altura em que o casamento era uma das poucas "carreiras" abertas às mulheres, se não queriam passar os dias às sopas da família, Jane escreveu sobre a dificuldade que era querer casar por amor e nem sempre isso acontecer. O que eu mais gosto nela é a forma, por vezes irónica e satirica como critica a sociedade. Aqui, no meu blogue, eu confesso, considero muitas vezes as pessoas que vou conhecendo como "irmãs" das personagens da Jane. Parece complicado, estranho até, mas não é. Eu acho que a sociedade não mudou assim tanto e por isso muitas vezes penso de mim para mim, que fulano ou cicrano parece mesmo tirado deste ou daquele livro da Jane Austen. Há muitas diferenças mas o principal está lá. Pessoas que são muito ignorantes, mas acham-se bastante inteligentes, homens que parecem ser o principe encantado e são verdadeiros sapos, pessoas que falam e falam, mas nunca dizem nada acertado. Enfim, a lista é imensa. Por isso acho que vale a pena conhecer esta autora.

Se em livros anteriores Jane falava da vontade em casar por amor e no desejo que isso acontecesse, aqui Ema assume uma atitude bastante diferente afirma diversas vezes que nunca o fará. Por isso considero que Jane talvez considerasse o casamento como uma especie de "prisão" para as mulheres. O próprio pai de Ema, manifesta a mesma atitude e ao longo do livro lamenta os casamentos que vão acontecendo. Ema, ao contrário de outras personagens que conheci no universo austeniano, não precisa de casar, é suficientemente rica. As outras personagens dos livros, tinham sempre uma situação financeira precária e viam no casamento uma saída, mas também queriam o amor.
Mas Ema, se não pensa em casar-se, decide ir casando as pessoas que a rodeiam e assim traça esquemas para conseguir juntar os casais. Os resultados nem sempre são os melhores...
Jane Austen escreveu que poucos iriam gostar de Ema, tirando ela própria, mas Ema, com os seus esquemas, artimanhas e forma de ser é uma personagem à qual é díficil de resistir....

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Regresso

Após uma pausa que foi mais demorada do que inicialmente previ, eis que regresso à vida de blogger. As férias foram o resultado de vários factores. Por um lado, alguns trabalhos e testes do curso que estou a frequentar tornaram o tempo escasso. Por outro o facto de estar um pouco cansada do blogue. Cheguei àquele ponto da relação em que a mesma precisa de ser pensada para se saber se é para continuar a dois ou ir cada um para seu lado. Se há dias que tenho muito para dizer e divido pelos dias seguintes outros há que nada existe que possa colocar aqui. Muitas vezes dei por mim a tentar arranjar coisas para não deixar de actualizar. Agora, isso vai deixar de acontecer e talvez possam passar dias, quiça semanas sem nada acontecer digno de menção. Mas o blogue vai continuar a ser actualizado sempre que possível e com os mesmos conteúdos.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Férias

Por que tenho afazares mais importantes, alguma falta de tempo e também inspiração, este blogue está de férias até ordem em contrário. São apenas férias e não o fim. Boa Páscoa, a todos os que passam por aqui.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Tigre e a Neve

Desde que vi o Tigre e a Neve que considero o seu inicio, o melhor de todos os filmes que já vi. O melhor momento, para mim, é a carinha de felicidade do Tom Waits enquanto a Noiva faz a declaração de amor....