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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Lord Byron

Na semana passada recebi a revista Ler e como sempre dei uma vista de olhos. Um dos artigos falava sobre os românticos e em especial sobre Lord Byron. Pouco do que lá dizia era novidade para mim. Quando terminei pus-me a pensar em Lord Byron e na sua vida de sexo, drogas e rock and roll. Na altura em que viveu causou imenso escândalo, a ponto de ter ido viver para outro pais. Se fosse hoje era apenas mais um excêntrico igual a tantos outros de quem pensaríamos que quer apenas causar escândalo e nada mais. Curioso como o mundo muda tanto mas em muitas coisas parece igual. Os entendidos dizem que Lord Byron foi a primeira celebridade tal como as conhecemos hoje. E eu, leiga, acho que sim, hoje ele passaria a vida nas capas de revista e perseguido por paparazzi.
Já agora ouçam um dos seus belos poemas. Ele pode ter sido bad, mad e dangerous to know mas foi inegavelmente um excelente poeta.

 

domingo, 10 de julho de 2016

O amor é uma companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos, ...
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.


Álvaro de Campos

sexta-feira, 17 de junho de 2016

vou buscar-te ao fim da tarde

vou buscar-te ao fim da tarde,
porque a noite só escurece contigo ao
meu lado, porque a noite aprende por ti...
o caminho aberto das estrelas

vou buscar-te ao fim da tarde,
e verás como preparei a casa, como
escolhi a música, como, enfim, espalhei
os objectos mais impressionados contigo,
os que ganharam vida por se interporem
na espessura estreita que vai do meu
ao teu coração
e não mais te devolvo, correndo todos os
riscos de não amanhecer nunca
numa loucura propositada por ti
não mais te devolvo,
ocuparás o mundo debaixo e sobre mim,
e não haverá mais mundo sem que seja assim


valter hugo mãe


 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Com A Berta Ao Fim Da Tarde

Os mais atentos sabem que hoje é o Dia Mundial da Poesia. Para assinalar esse dia, decidi deixar aqui um poema de Ulisses Duarte, chamado Com a Berta ao Fim da Tarde. Este poema, inspirou-me há uns anos a escrever um texto em prosa que também partilho.
 
 
 
 
Com A Berta Ao Fim Da Tarde
 
« Quando tinha quinze anos,
três portas depois da minha,
morava a viúva Berta
que trinta, ainda, não tinha.
Era linda. Os seios dela
trepando pelo corpete
par'ciam vir à janela
dum castelo de colchetes.
Um dia, pela tardinha,
passando à porta da Berta,
vi a porta entreaberta
e a Berta, aos sinais, sozinha.
Se pensei por um segundo
mandei o segundo à fava...
Havia, ali, outro mundo
na Berta que me esperava.
Mal entrei, fechou a porta
e logo, num desafio:
- Vou-te contar um segredo
porque só em ti confio.
Então, olhou-me de frente,
pôs as mãos no meu pescoço
e disse em tom d'alvoroço:
- Vem pr'aqui que está mais quente!
Devagar... devagarinho...
enquanto me desnudava
me vestia de carinho
com o prazer que me dava.
Então, tirei-lhe o corpete...
E a roupa que ela vestia
ficou, ali, no tapete
à espera do outro dia.
Meus lábios eram de fogo,
os dela eram de chama...
Quando o incêndio chega ao corpo,
só pode acalmar na cama...
A minha boca na dela;
a dela na minha boca...
Toda a ternura é mais bela
quando, sem saber, se troca.
Logo após um amplexo
que nunca mais me esqueceu,
ela agarrou no meu sexo
e pô-lo às portas do seu.
Alimentando o sentido
duma nova descoberta,
A Berta dizia: - Querido!...
Penetra, filho... penetra!
Penetra,... filho... penetra...
Pe... ne... tra..., fi... lho, pe... ne... tra...
»

Ulisses Duarte

 
Há uma ansiedade a crescer em mim, uma leve angústia apodera-se do meu ser. Esta espera, as horas que não passam. O barulho do relógio, no silêncio da noite, o único som que oiço para além do bater do meu coração. Todos os dias, sempre a esta hora, espero. À hora que todos dormem. Já é quase meia noite e tu ainda não chegaste...
Tudo começou no outro dia, em que vinhas da escola. És meu vizinho, tens quinze ou dezasseis anos, creio eu. Tu olhavas sempre, cada vez que passavas e dizias: Boa Tarde, D. Berta, com aquela voz que ainda não é de homem, mas já não é de criança, própria dos adolescentes, nessa fase que mudam a voz. Cada vez que tu passavas, eu sentia um estranho desejo de te falar e de sentir os teus lábios nos meus.
Um dia, decidi arriscar e convidei-te a entrar, vi o desejo no teu olhar, mal o fizeste fechei a porta, não esperei muito; disse-te que ia contar-te um segredo, pus as minhas mãos no teu pescoço...
Um fogo apoderou-se de nós, as minhas mãos no teu corpo, as tuas despiam-me o corpete, a saia. As tuas mãos, que ainda não são fortes como as dos homens, eram desajeitadas e inexperientes. As nossas bocas unidas e o fogo continuava a consumir-nos.
Deitada na minha cama recordo esse momento, em que as mãos e as bocas se procuravam num desespero que parecia não ter fim.
Não posso continuar esta loucura, todos os dias decido que é a última vez que isto acontece, que é a última vez que nós fazemos amor.
Sabes porque é uma loucura? Porque tu ainda és um rapaz, que ainda anda de calções e não tem barba para desfazer. Mas mesmo assim eu quero-te!
Esta paixão, este desejo que arde cá dentro durante o dia, apenas pode ser aplacado pelas tuas mãos, pelos teus beijos. Se nos descobrem, nem quero pensar no que irão dizer ou fazer, ninguém sabe ou desconfia, pergunto-me: até quando? Os segredos têm vida curta.
Acho que as pessoas já desconfiam e olham-me de uma maneira estranha, ou serei eu que me sinto culpada? Sou viúva, há tão pouco tempo, sei que devo respeito ao meu falecido marido, mas ele esta morto e eu viva, consumida pelo fogo da paixão! Será errado já ter outro homem na minha cama? A tua mãe, já mal me dá os bons-dias. Às vezes, convidava-me para ir lá a casa, tomar chá, mas agora quase desde a altura que começaram estes nossos encontros que deixou de o fazer...
Continuo à espera que tu venhas, continuo a querer o teu corpo junto do meu. Começou a chover, esta chuva lavará a poeira que se tem acumulado nas casas e nos passeios, porém não irá a acalmar o fogo que arde em mim, só tu o podes fazer.
Ouço um leve bater na porta, abro-a, és tu. Não te deixo falar, beijo-te, estás todo molhado, tens de tirar a roupa...
Algumas horas passam, tu vais embora e eu fico só a pensar nisto tudo.
Eu não posso viver assim, nesta angústia. Eu não quero me separar de ti, e sei que não posso viver sem ti, que hei-de eu fazer?
 
    
 
 
 
 
 

 

    

 

 

domingo, 13 de dezembro de 2015

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo grandes tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.
 

Luís de Camões    
 
( tão simples e tão verdadeiro)

sábado, 21 de novembro de 2015

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto....
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinicius de Moraes

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Estrela da Tarde - José Carlos Ary dos Santos



Era a tarde mais longa de todas as tardes

que me acontecia

Eu esperava por ti, tu não vinhas,

tardavas e eu entardecia

Era tarde, tão tarde, que a boca,

tardando-lhe o beijo, mordia

Quando à boca da noite surgiste

na tarde tal rosa tardia

 

Quando nós nos olhámos tardámos

no beijo que a boca pedia

E na tarde ficámos unidos

ardendo na luz que morria

Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste

o sol amanhecia

Era tarde de mais para haver outra noite,

para haver outro dia

 

Meu amor, meu amor

Minha estrela da tarde

Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza

 

Foi a noite mais bela de todas as noites

que me adormeceram

Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas

e beijos se encheram

Foi a noite em que os nossos dois corpos

cansados não adormeceram

E da estrada mais linda da noite

uma festa de fogo fizeram

 

Foram noites e noites que numa só noite

nos aconteceram

Era o dia da noite de todas as noites

que nos precederam

Era a noite mais clara daqueles que à noite

amando se deram

E entre os braços da noite de tanto se amarem,

vivendo morreram

 

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura,

se é riso, se é pranto

É por ti que adormeço e acordo

e acordado recordo no canto

Essa tarde em que tarde surgiste

dum triste e profundo recanto

Essa noite em que cedo nasceste

despida de mágoa e de espanto

 

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem

se quer tanto!


 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Aidan Turner lê poemas do Dante Gabriel Rossetti

Já tinha visto a série Desperate Romantics sobre o grupo de artistas que formavam a Irmandade Pré-Rafaelita. O que eu não sabia era destes vídeos onde Aidan Turner lia alguns poemas do Rossetti, a sua personagem na série, mais vale tarde do que nunca.
 
Aqui fica o link para a "playlist" do Youtube: Rossetti

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Algumas notas sobre a biografia do Yeats

Conheci o Yeats há uns anos, quando uma alma generosa me ofereceu um cd. O Cd mais não era que uma compilação de vários poemas do Yeats misturados com a sua biografia. Algo que só podia ser feito lá fora, mas que cá devia ser imitado.
Esta pequena amostra despertou a minha atenção e uns tempos depois investi em livros dele e também nesta biografia que li agora. Custou-me uma bagatela na FNAC.
Desde que conheci Yeats que digo que a BBC ou algum estúdio de cinema devia de fazer um filme sobre ele. A vida dele é muito rica e daria um bom filme. Mas a industria do cinema prefere investir em bestsellers de fraca qualidade e que apelam às massas.
Para mim ler não é só ler o livro e ponto final, gosto também de conhecer o escritor. Por isso invisto algum tempo a saber quem ele era. Claro que muitas vezes não vou à além da wikipedia. Mas conhecer um escritor é um passo importante para entender melhor a sua obra.
 
Tudo isto para vos dizer que gostei muito de conhecer melhor o Yeats, embora o essencial já soubesse. Podia escrever muitas coisas sobre ele, mas vou simplesmente contar aquilo que desde que soube me chamou a atenção, falo do seu casamento
Em 1916 Yeats decidi casar, não porque se apaixona loucamente por Georgie Hyde Lees, que viria a ser sua esposa ou porque finalmente Maud Gone o aceitava, mas simplesmente porque viu no seu horoscopo que era uma boa altura para casar.
A questão é que depois de mais uma vez ter pedido a Maud em casamento e ela o ter recusado e ter também pedido a filha dela em casamento e ser recusado, Yeats pede Georgie em casamento e ela aceita.
Eles já se conheciam mas não existia um grande amor ou paixão. Na manha seguinte ao casamento e quase inevitavelmente Yeats arrepende-se. Georgie que sabia no que se meterá quando casou, disse-lhe que tinha experimentado a chamada escrita automática. Isto fascinou Yeats, que era um grande crente no oculto e pertenceu a várias ordens ligadas ao estudo do mundo espiritual e a sua obra também fala das coisas invisíveis.
Durante os anos que se seguiram Yeats e Georgie passaram muito tempo desta forma. Mais tarde depois da morte de Yeats, Georgie disse que tudo não passou de uma mentira, que está bom de ver tinha como objectivo focar a atenção do marido em si.
Muitos pensarão: todo o burro come palha a questão é saber dar-lha. E outros dirão que ele sabia a verdade. Não existem indicações disso. Além disso Yeats era um grande crente no mundo oculto e a crença seja no que for é sempre muito forte mesmo perante a verdade.
Para terminar tenho pena que com o passar dos anos, Georgie tenha sido reduzida por Yeats, ao cargo de enfermeira, governanta, secretária e tenha perdido o de companheira para as amantes que ele teve no fim da vida. Mas isso não lhe retira mérito e todos podemos aprender com ela que uma relação, um casamento pode dar certo se trabalharmos nesse sentido, encontrando um ponto comum a partir do qual o resto se constrói. Claro que tem de haver também amor, mas isso raramente é suficiente por si só.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

se o amor viesse assim?

E se o amor viesse assim?
De mansinho,
Sem se dar conta.


E se o amor que há em mim,
Fosse carinho
No início desta ponta?


E se o amor viesse assim...
Seguindo este caminho
No final resta uma tonta.


Mas e se o amor chega...
Vem com os seus pés de lã,
Não parece amor.
É surpresa!


Toma cabeça e coração.
Nego-o pra mim,
Muito digo não,
Mas no fundo.
No fundo, sou só sim.


(um dos poemas que andei a rever da minha amiga que falei aqui ontem)

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Maud Gonne & Yeats Met

Like a spirit from Niamh's underthly islands, beautiful, arrogant, teasing, intense, passionate, vulnerable, yet unatainble, Maud Gonne appeared out of nowhere on the Yeats doorstep in London. Or rather, out of Dublin, from where she brought a letter of introduction from O´Leary's daughter Ellen.
 
Maud was a member of Young Ireland, her irish nationalism all the more passionate because it was to her a country of adoption and choice. She was born in England in 1864, and her father was a well-off professional soldier who had been posted with his regiment to Dublin Castle. She had growh up as a daughter of the English Ascendancy. It was her experience of the poverty and exploration of the Irish peasantry that fired her to turn her back on England and indeed to come to hate it. She was young, beautiful, rich and free, moving at her pleasure from Paris to Dublin to London. Both her parents were dead.
 
Willian Yeats was a year older, poor, living somewhat claustrophobically with na invalid mother, two sisters, his brother and his father. He was tal, over six feet, and gangling. Untidy black hair dangled over his brow. His clothes were shabby yet worn with a certain flamboyance, as if to say 'this is my choice, not my need'. Finding a kindred spirit, Maud, flouting convention, invited him to dine with her that evening. They dined together again every day of her nine-day visit to London. By the end of it he was captived, and his painful awareness of their circunstances did nothing to reduce the growing obession he now felt.
 
 
The Irish Biographies, W.B. Yeats, David Ross
 
E assim começa o amor que marca a vida de Yeats. Comecei a ler esta biografia há uns dias. Há uns anos ofereceram-me um Cd sobre o Yeats ( misturava a biografia com poemas dele) e eu, tal como ele se apaixona pela Maud, apaixonei-me por ele. Acho-o uma personalidade muito rica. Desde essa altura que acho que deviam fazer um filme sobre ele. Embora ache difícil que venha a acontecer, ainda não perdi totalmente a esperança.

domingo, 8 de abril de 2012

Uma bela combinação entre as palavras do Shakespeare e a voz do Benedict Cumberbatch, para uma bela publicidade, por muito que promova uma coisa que serve muitas vezes para bisbilhotar a vida alheia.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

She walks in beauty

adoro este poema do Byron, tão simples e ao mesmo tempo tão belo. Byron, o homem a descobrir melhor em 2011.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Parting

THERE'S no use in weeping,
Though we are condemned to part:
There's such a thing as keeping
A remembrance in one's heart:



There's such a thing as dwelling
On the thought ourselves have nurs'd,
And with scorn and courage telling
The world to do its worst.



We'll not let its follies grieve us,
We'll just take them as they come;
And then every day will leave us
A merry laugh for home.



When we've left each friend and brother,
When we're parted wide and far,
We will think of one another,
As even better than we are.



Every glorious sight above us,
Every pleasant sight beneath,
We'll connect with those that love us,
Whom we truly love till death !



In the evening, when we're sitting
By the fire perchance alone,
Then shall heart with warm heart meeting,
Give responsive tone for tone.



We can burst the bonds which chain us,
Which cold human hands have wrought,
And where none shall dare restrain us
We can meet again, in thought.



So there's no use in weeping,
Bear a cheerful spirit still;
Never doubt that Fate is keeping
Future good for present ill !



Charlotte Brontë

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

UWO Chamber Choir -Shall I Compare Thee to a Summer's Day

e se um poema, um dos mais belos poemas do senhor William Shakespeare for cantado por um coro, fica ainda mais belo e mais sublime?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

Poesia em DVD

Para mim a poesia deve ser dita e não lida. Por isso gosto sempre de ler poemas em voz alta. Assim sendo este DVD é um verdadeiro must have para qualquer amante do género. Não há nada melhor que ouvir ser dita a poesia. Neste dvd, na realidade são dois volumes, temos vários actores e não só, a dizerem poemas numa espécie de curta-metragem. O resultado é francamente bom. Claro que senti a ausência de alguns poetas, no entanto houve um mérito que não resisto a partilhar: na escola nunca fui muito à bola com os poemas do Fernando Pessoa. Até posso dizer que admirei a sua capacidade poética de escrever coisas tão diferentes, sob nomes diferentes, como se fosse de facto outra pessoa a escrever e não ele, mas não fiquei com vontade de mais. Ao ver os seus poemas ganharem vida através das palavras e imagens, senti vontade de lê-lo...
Os mais atentos irão lembrar-se que estas "curtas-metragens" já passaram na RTP.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Com a Berta ao fim da tarde

« Quando tinha quinze anos,
três portas depois da minha,
morava a viúva Berta
que trinta, ainda, não tinha.
Era linda. Os seios dela
trepando pelo corpete
par'ciam vir à janela
dum castelo de colchetes.
Um dia, pela tardinha,
passando à porta da Berta,
vi a porta entreaberta
e a Berta, aos sinais, sozinha.
Se pensei por um segundo
mandei o segundo à fava...
Havia, ali, outro mundo
na Berta que me esperava.
Mal entrei, fechou a porta
e logo, num desafio:
- Vou-te contar um segredo
porque só em ti confio.
Então, olhou-me de frente,
pôs as mãos no meu pescoço
e disse em tom d'alvoroço:
- Vem pr'aqui que está mais quente!
Devagar... devagarinho...
enquanto me desnudava
me vestia de carinho
com o prazer que me dava.
Então, tirei-lhe o corpete...
E a roupa que ela vestia
ficou, ali, no tapete
à espera do outro dia.
Meus lábios eram de fogo,
os dela eram de chama...
Quando o incêndio chega ao corpo,
só pode acalmar na cama...
A minha boca na dela;
a dela na minha boca...
Toda a ternura é mais bela
quando, sem saber, se troca.
Logo após um amplexo
que nunca mais me esqueceu,
ela agarrou no meu sexo
e pô-lo às portas do seu.
Alimentando o sentido
duma nova descoberta,
A Berta dizia: - Querido!...
Penetra, filho... penetra!
Penetra,... filho... penetra...
Pe... ne... tra..., fi... lho, pe... ne... tra... »



Ulisses Duarte